27 de janeiro de 2015

PESSOA (F)ÚTIL

"(...)a pessoa fútil, que é um indivíduo que geralmente não tem amigos, pois em todas as conversas a pessoa nunca, ou quase nunca, acrescenta algo positivo, traz algum conhecimento ou ensinamento. 
A pessoa fútil é aquela que dá importância para coisas levianas, geralmente coisas caras, objetos e roupas de moda, e é normalmente conhecida por todos a sua volta como fútil."


Quem não acabou de encaixar uma mão cheia de pessoas conhecidas neste perfil? Durante uns tempos tive sérias dificuldade em encaixar a palavra, talvez porque toda a vida apreciei moda e no tempo de escola, uns palermas que eram da minha turma achavam que por eu (para além de ler livros de vez em quando) ler revistas, apreciar uma pessoa bem vestida, seria uma pessoa fútil. Hoje, tenho a certeza absoluta que, apenas tinha uns três babacas na turma que sofriam de mau gosto, era fixe  quem usava o mesmo blusão da WESC o inverno todo com aquele cheiro entranhado de tabaco e gozar com a miúda que vinha de Penafiel e gostava de se vestir de forma invulgar. 
Hoje tenho conhecimento de como são realmente, as pessoas fúteis.

"indivíduo que geralmente não tem amigos" - (entendam, são apenas conhecidos com quem desabafam as últimas compras, férias, comidas, etc, etc...); 

"quase nunca, acrescenta algo positivo, traz algum conhecimento ou ensinamento" - (raramente está com aquela pessoa, mas a primeira coisa que diz: a minha mala foi caríssima.) - Mas alguém precisa de saber? A minha até custou 15€ e tu não páras de olhar.

"dá importância para coisas levianas, geralmente coisas caras" - (só o que é caro, é que é bom, tem a marca conhecida à vista? Então quero.) - Acho que cada vez mais é uma forma das pessoas (acharem) que se podem afirmar assim. 

Se a mulher realmente gosta e tem dinheiro para gastar, então tanto faz que custe 20€ ou 100€. Certamente todas nós temos/tivemos aquela peça de sonho que está completamente fora do nosso alcance financeiro. Mas, ou se trata de um clássico (por ex: Chanel 2.55) e eu posso ir sonhando, trabalhando e juntando dinheiro para ela, ou simplesmente, não passou de uma paixão de 2 minutos em que fiquei radiada e passou. É mais que ÓBVIO, que quem A D O R A realmente roupa e acessórios e vê uma peça invulgar, que grita: é a minha cara, vai loooogo a correr para ver o tamanho e só depois quanto custa (é nessas alturas, que às vezes, levamos daquelas chapadas de desilusão porque gostávamos mesmo, mesmo da peça e só custava 30€).

Todas as pessoas são (deveriam ser), úteis nas nossas vidas, mas chega a um ponto que, certamente, conviver com uma pessoa chata, que (s e m p r e) só fala dela, das compras que faz, do dinheiro que gasta, do que o namorado/marido/amante lhe dá, do que jantou sábado à noite, isto, consecutivamente, torna-se muito, muito aborrecido e na mente de qualquer ser humano "normal", essa pessoa fica rotulada assim: (F)útil.

Beijos pensativos,
Lígia Antelo.
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