23 de setembro de 2016

DEPOIS DE SER MÃE

Ser mãe é uma coisa maravilhosa. Ao fim de um ano, ainda fico sem palavras para saber descrever isto de ser mãe. Não me saem mais do que alguns adjectivos fortes e fico-me por aí. O que importa realmente é o que vai no meu coração e na minha cabeça. Mas é melhor nem começar por descrever o que vai na minha cabeça neste último ano, senão recomendam-me logo psiquiatra e chamam a associação social para me tirar a criança. Sim, não me comecem já a julgar, as mães vão-me compreender. Jamais bati na minha filha só porque sim, porque estou nervosa, ou porque algo me corre mal, jamais! Mas ainda esta semana levou uma sacudida de pó no rabo, vou reformular, na fralda,  porque teimou que havia de se enfiar dentro da sanita. Mas eu não bato na minha filha porque não quer comer, muito menos porque se suja, e olhem que às vezes vontade não me falta, mas depois eu penso que os remorsos devem ser terríveis e ela vai voltar a sujar-se e vai voltar a não querer comer. Os meus dramas agora são, porque habituei desde muito cedo a minha filha a sentir-se independente e quer sê-lo com coisas que nesta fase são um suicídio, ou em locais muito impróprios. Não pode ser! Come pela mão dela, alimentos sólidos, desde os 5 meses, com 1 ano bebe da palha quando não calha directamente da garrafa pequena da água, já pega na colher e leva a sopa à boca; quando eu der fé, está a pedir-me a chave de casa para sair à noite. 
Mas como disse, ser mãe é uma coisa maravilhosa. Ter o prazer de viver diariamente para a minha filha, aproveitar cada segundo do dia com ela, tem sido extremamente gratificante, à parte da exaustão claro e não me digam que "ah, tudo o resto compensa", não compensa! Mas desde quando é que, uma mãe que se sente cansada, vai ter melhor proveito com os filhos? Todas nós precisamos do nosso tempo, dos nossos cuidados, das nossas conversas, leituras, seja o que for, mas é nosso. Aquelas duas horas são minhas, tu ficas com a nossa filha, qualquer coisa liga-me. Sim, esta sou eu. Eu vou, mas estou 100% ligada para o que a minha filha precisar. Afinal de contas, eu cuido dela, eu coloco as coisas dela no saco, eu sei o que ela come e o que deve comer, mas por isso, POR ISSO, é que eu deixo tudo direitinho para facilitar a vida do pai ou da avó, já para evitar que me liguem a perguntar "posso vestir-lhe esta roupa com corações que está no saco?" Adoro ser mãe! Nasci para isto. Hoje sei que nasci para ser mãe e só depois pensar profissionalmente. Hoje gosto de fazer as duas coisas. Tento. Depois de ser mãe o meu ponto de vista em relação aos objectivos de vida, de amizades, mudou drasticamente. Quando vejo aqueles conhecidos, que já foram amigos, nas suas vidas, que para mim, agora são inúteis, onde a única preocupação que tem é escolher a vestimenta para sábado à noite ou a hora para estarem no café à semana, faz-me ser grata pelo que tenho, pela pessoa que tenho ao meu lado e por ter tido a minha filha numa fase tão boa.
Acho que está na hora de ir, hoje o tempo para mim, foi a actualizar o blog, a M está acordar e temos de ir tratar do lanche, antes que comece a berrar que nem um bezerro e me dê cabo da paciência que resta.






Beijos, até breve.
A mãe, Lígia Antelo.
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