16 de julho de 2015

DEIXEM AS GRÁVIDAS EM PAZ

Acho que nunca vos falei do quanto sou fã de blogues brasileiros. As bloggers brasileiras, para mim, estão em óptima consideração. O que tenho em conta para além das dicas de moda e make up? Os artigos que (as que sabem sobre o que escrevem) conseguem transmitir para nós leitoras. Gosto da clareza com que dizem as coisas sem ferir, não são de rodeios e raramente transmitem a sensação de frieza para quem está deste lado, mesmo quando querem mandar alguém dar a volta ao bilhar grande. Tudo haver connosco, portuguesas, né?! Adiante.
Hoje de manhã vejo: Por favor, deixem as grávidas em paz. Fiquei looogo curiosa para ler o porquê de deixarem as grávidas em paz, o que vinha daí agora. Então não é, que leio algo SENSACIONAL, (que basicamente me deixou: UAU!!!) no Blogs da Ruth Manus que transmite tudo, tudo, tuuudo o que nós, grávidas sentimos, pensamos; Tuuudo o que nos irrita, nos mói a paciência. Basicamente estas palavras são o espelho da minha alma de à 6 meses para cá. 

"E então eu estava com a minha irmã, gravidíssima, comprando pijamas e a vendedora da loja diz para ela “noooosssa, mas com essa barriga tão baixa você deveria estar em casa.”. Ela, pacientemente, disse que a médica disse que ela deveria andar. Na sequência, encontramos uma conhecida que perguntou o nome do bebê e, sem mais nem menos sugeriu que ela colocasse Maria na frente do nome escolhido. “Fica bem mais bonito”. Por fim, mandamos uma foto no grupo de whatsapp da família quando sentamos para jantar. Pronto: “Você está comendo carboidrato?! Não deveria. Cadê as verduras desse prato? Não vá comer sobremesa hein? Nem tomar café!”
Meu Deus do céu. A única coisa que eu conseguia pensar era que no dia em que eu ficar grávida vou ter que passar os 9 meses em uma caverna, senão vou bater em todo mundo. Como elas têm tanta paciência? Inacreditável.
Eu não sei o que acontece, mas as pessoas parecem achar que a grávida é patrimônio público. Que o fato dela ter um barrigão torna-a automaticamente disponível para ouvir histórias, conselhos, pitacos, críticas e broncas de quem quer que seja, ainda que essa pessoa não tenha a menor intimidade com a gestante.
As pessoas interferem na roupa da grávida. É muito justo, é muito largo, agasalhe-se melhor, grávida não pode passar calor, vai usar cinta? Cinta é importante.  As pessoas interferem no momento da gravidez. Mas já??? Tão nova. Casou ontem. Nem casada é!! Só agora??? Vai ser gravidez de risco. Você não tem medo de ser mãe nessa idade??
As pessoas presumem que há um pai-marido. Não presuma nada. Pode haver um pai-não-marido. Pode ser uma produção independente. Pode haver outra mãe. As pessoas se metem no prato da grávida. Só isso?? Come mais um pouco, agora são dois. Vá devagar, senão vai engordar 30 quilos. Carboidrato não. Carboidrato sim. Nem sonhe em tomar uma taça de vinho! Suco de graviola é ótimo. Sonho de valsa edição especial dia dos namorados é péssimo.  Batata frita faz o bebê nascer com um pé no meio da testa.  Pizza de frango com catupiry eleva o QI da criança.
As pessoas contam histórias sem noção. Uma grávida conhecida que morreu no parto. Um bebê que escorregou da mão do obstetra e teve traumatismo craniano. Trocas de bebês. Sequestros de recém nascidos por enfermeiras malucas. Metade nem deve ser verdade. E ainda que sejam, grávidas não precisam ouvir nada disso.
As pessoas perguntam sem parar. Vai amamentar? Vai fazer drenagem? Vai contratar babá? Vai trabalhar até quando? As pessoas crucificam a grávida. Ela tomou uma cerveja. Ela fumou um cigarro. Ela viajou de avião. Ela volta de madrugada. Ela desfilou numa escola de samba. Amigo, o problema é dela.
Mas nada supera a falta de bom senso quando o assunto é o parto. Tentam persuadi-la a fazer parto normal. Tentam dizer para ela que a cesárea é mais segura. Tentam convencê-la de que o parto humanizado é uma insanidade. Colocam regras, estigmas, ignoram seus medos, sua filosofia de vida, os conselhos do seu médico, o histórico da sua gravidez.
De bônus, ainda temos os comentários machistas- conscientes ou inconscientes- como: “seu chefe é que deve estar feliz, hein? Hahaha”; “você tem sorte de ter um marido desse, que vai te ajudar com o bebê”; “vê se entra numa academia logo depois do parto… Sabe como são os homens, né?”; “você é mulher, claro que você vai saber dar banho e fazer papinha!”.
Pois é. Eu sei que o seu conselho é valiosíssimo, mas se a grávida não te pediu conselhos, simplesmente não os dê. Ela provavelmente tem médico, companheiro(a), pai e mãe, sogro e sogra, irmãos, cunhados… E uma incrível auto-cobrança, além de um baita de um amor por aquela coisinha na barriga. Ninguém melhor do que ela para escolher caminhos e tomar decisões.
Diga coisas bacanas, elogie, conte histórias legais, seja bacana, sorria para ela. Carinhos e cuidados geralmente são bem vindos. Mas regras intransponíveis e críticas sem cabimento não. Poupem as barrigudas de tudo isso. Elas já estão com o pé inchado, o corpo pesado, mil e um medos. Elas não precisam de gente abelhuda e sem noção, precisam de pessoas que afetuosamente respeitem seu espaço e que as deixem ter uma gravidez feliz e em paz."
Beijos, 
Lígia Antelo.
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