5 de maio de 2016

A [minha] REALIDADE DA PRIMEIRA GRAVIDEZ

[ainda] Só estive grávida uma vez. Não foi assim à muito tempo e já morro de saudades. Se gostei? Não só gostei, como AMEI! Sentia-me luminosa, bonita, feliz, saudável, cheia de energia, adorava olhar-me no espelho, acariciar a minha barriga, vestir-me sem preconceito, sem receio de mostrar que tinha uma bebé a crescer dentro de mim. Tudo correu tão bem, foi uma gravidez tão perfeita, tão vivida, tão cuidada, não só por mim, mas vivida a dois e muito intensamente a dois. Estávamos verdadeiramente grávidos. A diferença, é que eu sentia tudo momentâneo, isso não dá para partilhar. Não há palavras que expliquem todas as vezes que a nossa filha mexe, a pressão que nos faz na bexiga, como quem "vai, corre já para a casa de banho" e nós só pensamos "estás a ficar apertada aí dentro"; todas as vezes que nos deitamos para dormir, com jeitinho, porque não a queremos magoar e quando já estamos relaxadas ela dá aquela mexedela de "boa noite mamã".
Não a culpo pelos pés monstruosos com que fiquei, pelas dores nas costas que tive, pelas idas à casa de banho de 10 em 10 minutos, pelo apetite que nunca me faltou,  muito menos pela falta de opções do que vestir. De um minuto para o outro, isso deixou de existir.
Eu era uma grávida chorosa. Chorava por tudo e por nada. Quando dava fé, estava a chorar e não percebia porquê. Passava aquela publicidade da Dodot e vinha-me a lágrima ao olho, um video sobre recém-nascidos no facebook, outra lágrima no olho. Quando soube que era uma menina, chorei, chorei, chorei de tanta felicidade, como nunca chorei a vida toda seja pelo que fosse. Sentia-me realizada. Tudo o que eu sempre quis estava a desenvolver-se e só dependia de mim para que corresse bem. Da minha alimentação, do meu descanso, do meu exercício físico, do meu estado de espírito... Até ao momento que me disseram: "Vai ser agora que ela vai nascer, vai ter de fazer tudo aquilo que aprendeu nas aulas de preparação para o parto", eu só dormia. Só tinha vontade de dormir. Hoje penso "Caramba! Mas eu serei normal? As águas rebentaram e eu só queria ir ao IKEA comprar umas coisas que me faltavam; Estava na sala de parto e só perguntei à enfermeira se podia dormir um bocado" Acho que, se não tivesse de fazer força para ela nascer, a minha filha vinha ao mundo comigo a dormir. Eu estava sem dor, sem medos, confortável, em segurança, tranquila, com a melhor pessoa do mundo ao meu lado e uma equipa médica excepcional. Que mais poderia pedir? Se ter filhos, fosse só pari-los, eu tinha uma equipa de futebol. Foi uma experiência fantástica! Hoje só gostava de voltar a engravidar, se tivesse a certeza que revivia, tudo aquilo que vivi, com a gravidez e o parto da M. Fui mãe nova, é verdade, mas não há um segundo que me arrepende de o ter sido. Afinal, o nascimento da minha filha não foi, para mim, uma privação de sair à noite, jantar com os amigos, passear no shopping, dormir mais horas, não ter horas das refeições, não ter tempo para fazer as minhas coisas. Nada é uma privação, quando temos a certeza, de que não são essas coisas, que nos fazem felizes ou realizadas. Nós saímos à noite, jantamos com os amigos, vamos ao shopping, dormimos as horas suficientes, eu faço as minhas coisas pessoais e somos muito mais felizes, muito mais gratos, damos muito mais valor a pequenas coisas, que antes, nem sequer sabíamos que seria possível. Dormir com a nossa filha ao peito, brincar com ela, ouvir o seu riso, vê-la rebolar e a rir enquanto ouve música, vê-la comer sozinha, é muito mais sincero, muito mais enriquecedor, deixa-nos de coração cheio.

Hoje, dedico-me à minha filha 24 horas por dia, trabalho a partir de casa, levo uma maternidade consciente, por isso, não permito que nada industrializado faça parte da sua alimentação. Desde então, que a alimentação cá em casa, deu uma volta de 360º {para melhor claro!}. Cozinho com amor, muito sabor e o mais natural possível.
Hoje sou uma pessoa muito mais feliz e faço aquilo que gosto.


Beijos e mais beijos.
A mãe, Lígia Antelo.
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